Há livros que se escrevem com pressa e há livros que se escrevem com a vida toda. A Graça de Reencarnar pertence à segunda categoria. Eva Sandrina S. Perregil demorou mais de cinco anos a materializá-lo — não por falta de palavras, mas porque cada página era também um passo mais fundo dentro de si própria. «Escrever foi o meu fio de ancoragem», escreve na conclusão. «Cada palavra foi um passo mais fundo no corpo. Cada página foi um eu fico mais um pouco.»
Publicado pela autografia EDITORIAL em julho de 2026, este ensaio espiritual de 156 páginas é simultaneamente uma história pessoal e um guia prático. A autora começa por abrir o seu próprio portal: uma infância marcada por asma, alergias e uma sensação persistente de que algo faltava, que mais tarde descobriu estar ligada à presença de Estrela, a irmã gémea não nascida e companheira de viagem de alma. A partir dessa tomada de consciência, o livro acompanha o seu percurso de cura: constelações familiares, ressignificação de memórias ancestrais, libertação emocional e, ao longo de toda a obra, um arsenal de ferramentas espirituais práticas apresentadas com clareza e generosidade.
A estrutura do livro é a de uma jornada completa: do diagnóstico à limpeza, da limpeza à ressignificação, da ressignificação à elevação vibracional. Cada capítulo é ao mesmo tempo reflexivo e operativo. Perregil não se limita a descrever o seu caminho: ensina o leitor a percorrer o seu próprio, propondo perguntas e práticas de autoindagação e autocuidado — as APE, Atividades para Evoluir — no final de cada secção. Cristais, ervas, música, mantras, Ho’oponopono, animais de poder, cromoterapia, mandalas, oráculos, códigos Grabovoi, radiestesia e mesas radiónicas são apresentados como ferramentas concretas de cuidado energético, com indicações práticas de utilização.
O que distingue este livro de outros ensaios espirituais é a honestidade com que a autora se expõe. Não há aqui uma mestra que já chegou: há uma mulher que ainda está a chegar, que partilha o processo com toda a sua rugosidade e toda a sua beleza. Uma voz que sabe o que é não querer estar aqui — e que aprendeu, página a página, a escolher ficar.
Este livro não é um projeto editorial. É um ritual de reencarnação consciente.
Conclusão — A Graça de Reencarnar
A conclusão do livro é também a sua declaração de missão: «Este livro não é só para o mundo. É a minha certidão de presença na Terra.» Uma frase que diz tudo sobre o que significa escrever desde um lugar de cura e não de performance. E que convida cada leitor a fazer o mesmo: reconhecer a sua presença, honrar o seu percurso, descobrir a graça que há em ter escolhido estar aqui.
Para quem está em processo de autoconhecimento e busca ferramentas espirituais com fundamento. Para terapeutas, consteladores e educadores da alma. E para todas as pessoas que alguma vez sentiram que viver custa mais do que devia — e que precisam de lembrar porque valeu a pena ficar.
A Graça de Reencarnar está disponível em www.autografia.es. Um livro escrito como ritual, lido como resgate.
Entrevista com Eva Sandrina S. Perregil
Bloco I — O livro e o percurso de o escrever
Demoraste mais de cinco anos a escrever este livro. O que mudou em ti entre o primeiro rascunho e a versão final?
Nestes cinco anos, eu também me transformei. Aprendi a cuidar mais de mim, a respeitar o meu tempo e a compreender melhor a minha história ancestral e a forma como ela influenciou o meu percurso e as minhas escolhas.
Hoje falo com mais empoderamento, abertura e responsabilidade sobre a minha história e sobre a minha missão de alma neste planeta. Por isso, este livro acabou por ser também um reflexo da minha própria transformação.
Dizes na conclusão que escrever foi o teu «fio de ancoragem». Houve momentos em que quiseste desistir? O que te fez continuar?
Sim, muitos. Houve momentos em que pensei em desistir, mas nunca estive verdadeiramente só. Foram os seres à minha volta, visíveis e invisíveis, que me foram mostrando, cada um no seu momento, que havia sempre um próximo passo a dar.
E foi essa orientação, essa presença e a confiança de que cada passo tinha um propósito que me fizeram continuar. Muitas vezes, esse passo foi determinante para conseguir sair da situação em que me encontrava e avançar para a etapa seguinte da minha vida.
O livro é simultaneamente uma história pessoal e um guia prático. Como encontraste o equilíbrio entre partilhar a tua experiência e ensinar ferramentas concretas?
As ferramentas que partilho no livro são, acima de tudo, ferramentas que pratiquei diariamente em mim e que fizeram parte do meu próprio processo de transformação. Por isso, senti que fazia sentido partilhá-las, para que a minha experiência pudesse também ser uma contribuição para outras pessoas nos seus próprios caminhos.
A introdução diz que reencarnar é um ato de coragem. De que forma a escrita deste livro foi, para ti, um ato de coragem?
Para mim, escrever este livro foi, sem dúvida, um ato de coragem. Primeiro, porque significou expor a minha história de vida, incluindo momentos muito dolorosos, e isso implica uma grande vulnerabilidade.
Mas também porque precisei de enfrentar uma limitação interna que carreguei durante muitos anos: por ser natural de outro país e ter o francês como língua materna, sempre achei que não tinha «jeito» para escrever. Durante muito tempo, acreditei que isso me limitava.
Escrever este livro foi, por isso, muito mais do que colocar uma história no papel. Foi desafiar uma crença sobre mim própria, ultrapassar um medo e permitir-me acreditar que a minha voz e a minha história também mereciam ser partilhadas.
A conclusão afirma que este livro é a tua «certidão de presença na Terra». O que significa essa frase para ti?
Para mim, este livro ser a minha «certidão de presença na Terra» significa reconhecer que a minha história teve um propósito. Se, através da minha vida e das aprendizagens que partilho, conseguir ajudar outras pessoas a tornarem as suas vidas melhores, então tudo o que vivi ganha ainda mais sentido.
É também uma confirmação de que estou no caminho certo e de que tudo aconteceu como e quando tinha de acontecer para me trazer até aqui e me tornar na pessoa que sou hoje.
Bloco II — Cura, consciência e ferramentas espirituais
Descobrires a existência de Estrela, a tua irmã gémea não nascida, foi um momento determinante. Como essa tomada de consciência mudou a tua relação com a vida e com o teu próprio corpo?
A descoberta da existência da Estrela trouxe-me uma nova compreensão sobre características minhas que durante muito tempo não conseguia explicar, como a resistência ao toque. Percebi que alguns desses padrões podiam estar relacionados com a experiência de ser uma gémea sobrevivente e, ao fazer essa correlação, consegui compreender melhor a minha relação com o meu corpo.
Essa consciência permitiu-me mudar a forma como me relacionava comigo própria, com o meu corpo e, consequentemente, com as pessoas à minha volta. Foi um processo de compreensão, aceitação e transformação.
O livro apresenta um vasto conjunto de ferramentas: cristais, mantras, Ho’oponopono, oráculos, radiestesia… Qual foi a primeira que verdadeiramente transformou algo em ti?
A técnica que verdadeiramente me transformou foi a radiestesia. Foi através dela que consegui abrir-me mais à minha espiritualidade e despertar uma intuição que já existia em mim, mas que estava, de certa forma, ignorada e adormecida.
A radiestesia foi, assim, uma porta de entrada para uma maior conexão comigo própria, com a minha espiritualidade e, consequentemente, para o meu processo de transformação.
As APE — Atividades para Evoluir — aparecem ao longo de todo o livro. Como surgiram? São práticas que fazes tu própria no teu quotidiano?
As APE — Atividades Para Evoluir — surgiram naturalmente daquilo que já fazia e continuo a fazer na minha própria vida. São práticas que me têm permitido evoluir, ganhar consciência e transformar-me um pouco mais a cada dia.
Por isso, não são apenas ferramentas que criei para o livro. São atividades que experimentei e continuo a praticar no meu quotidiano, e que fizeram sentido partilhar para que também possam contribuir para o processo de evolução de quem as lê.
Trabalhas com constelações familiares, memórias ancestrais e limpeza energética. Como explicas estas práticas a alguém que se aproxima delas pela primeira vez?
As constelações familiares, o trabalho com memórias ancestrais e as limpezas energéticas são práticas que, para mim, não se explicam verdadeiramente — experienciam-se.
Por isso, gosto de proporcionar experiências iniciais a um valor simbólico, para que cada pessoa possa experimentar, sentir e aceder à sua própria experiência. A partir daí, pode perceber se se identifica com esta abordagem e se sente que quer permitir-se avançar nesse caminho de autoconhecimento e transformação.
Dizes que «falar no futuro é viver ansioso; ficar preso ao passado é viver em depressão». Como se aprende, na prática, a habitar o presente?
Para mim, aprender a habitar o presente começa pela gratidão. É escolher estar verdadeiramente presente e agradecer cada movimento, cada experiência e cada acontecimento que se manifesta em nós e à nossa volta.
Quando nos permitimos estar plenamente naquilo que estamos a viver, sem estarmos constantemente presos ao que aconteceu ou preocupados com o que poderá acontecer, o passado e o futuro deixam de ocupar o centro da nossa atenção.
E há algo que considero essencial: quando construímos e vivemos o presente com consciência, já estamos, de alguma forma, a delinear o nosso futuro.
Bloco III — Missão, propósito e leitora
Defines-te como educadora da alma, terapeuta e palestrante. Como se concilia essa missão de serviço com o cuidado de si própria?
Ser «educadora da alma» implica, para mim, praticar em mim aquilo que ensino e partilho com os outros. No dia a dia, procuro criar vários momentos de auto-observação, autoavaliação e autocuidado, para perceber como estou, o que preciso e o que posso transformar.
Acredito que a verdadeira missão de serviço começa em nós. Por isso, aquilo que digo, recomendo e levo às pessoas que me procuram é, antes de tudo, algo que procuro viver e praticar na minha própria vida.
O livro fala muito em vibração. Para alguém que não tem background espiritual, como explicas de forma concreta o que significa elevar a vibração?
Elevar a vibração, de uma forma simples e concreta, é mudar o estado em que escolhemos viver. É passar de uma frequência marcada pela dor, pela reclamação, pelo julgamento, pela condenação e pela autocondenação, para uma frequência de gratidão, alegria e celebração.
É começar a agradecer mais, a usufruir da vida, a reconhecer o que existe de bom e a permitir-nos viver com mais presença e leveza. Para mim, elevar a vibração não significa ignorar a dor, mas escolher não permanecer nela.
A quem imaginas a ler este livro? Qual é a leitora — ou o leitor — que mais precisava de o encontrar?
Talvez seja pretensioso dizer: a todas as pessoas. Mas, sobretudo, a quem já se sentiu no fundo do túnel, sem encontrar uma saída, e a quem, em algum momento, pensou em desistir da vida.
É para essas pessoas que gostaria que A Graça de Reencarnar chegasse como uma luz, uma mensagem de esperança e a possibilidade de acreditar que, mesmo nos momentos mais difíceis, pode existir um próximo passo.
Bloco IV — A autora e o futuro
O que mudou na tua vida desde que este livro saiu para o mundo?
Sinto-me mais empoderada, mais viva e mais alegre. Há também uma sensação profunda de realização e de dever cumprido. Durante muito tempo, este livro fez parte do meu caminho e vê-lo finalmente chegar ao mundo traz-me uma enorme gratidão e a certeza de que cumpri uma missão que precisava de ser concretizada.
Há um próximo projeto? Sentes que ainda tens muito por escrever, ou este livro diz tudo o que precisavas de dizer — por agora?
Sim, tenho ainda muitos projetos para partilhar, nomeadamente novos livros, que já estão a ser escritos. Não serão necessariamente autobiográficos, mas continuarão a trazer reflexões, aprendizagens e ferramentas que sinto que podem contribuir para outras pessoas.
Alguns já estão em processo e aguardam apenas o momento certo para chegar ao mundo.
Nota ao leitor: este livro aborda temas como a experiência de não querer viver, a perda de irmãos não nascidos, traumas de infância e memórias ancestrais. O tratamento é sempre espiritual e orientado para a cura e a superação. Se estiver a atravessar um momento difícil, procure o apoio de um profissional de saúde ou de uma linha de apoio na sua área.